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Mox in the Sky with Diamonds |
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Bauman: para entender a pós-modernidade

Para todos aqueles que se interessam por política e ciências sociais, ou simplesmente querem entender o mundo em que vivem, recomendo o livro “Globalização”, de Zygmunt Bauman.
O livro explica como funciona na pós-modernidade a estratégia da globalização. Bauman não é um otimista. Está longe de ser um entusiasta da pós-modernidade, como é Maffessoli. Entretanto, também não vive no mundo surreal de uns e outros como Habermas e o pessoal do PSTU (não querendo comparar os dois, é claro, é como comparar Einstein com jumentos). Não nega a pós-modernidade. Enxerga-a como fato, tenta lidar com ela.
O livro se baseia especialmente em três idéias:
1- A mudança a ser mais sentida é, sobretudo, o enfraquecimento do Estado. Hoje em dia, o capital flutua livremente pelo mundo, podendo os investidores (predadores) eleger o nicho mais adequado para se instalar. Nesse mundo de investidores, pouco capital político resta ao Estado, já que, caso complique, é só tirar o capital. E quebra.
2 - Não vivemos mais numa "sociedade fordista", ou de produção, em que o trabalho é valorizado e objetivado em si mesmo. A sociedade atual é de consumo. O trabalho é apenas meio para o consumo, que se esgota numa velocidade quase imediata e é capaz de absorver infinitos desejos. O consumismo, além disso, é ubíquo, chega a todas as classes sociais, porque a imagem, a propaganda e a moral consumista tb chegam aos pobres.
3 - A reação natural do pobre é a violência (simbólica ou real) e a própria mídia criminaliza a pobreza. Com isso, aumenta o clamor por segurança (na verdade, ódio ao diferente) e se proliferam unidades de isolamento das elites, como os condomínios fechados. O clamor ainda pede a prisão, que é uma forma de livrar-se do pobre, cada vez menos vinculada aos princípios do trabalho (como ocorria nas prisões descritas por Foucault), mas apenas visando ao isolamento, à segregação. O turista e o vagabundo não diferem em nada: apenas o primeiro está na sociedade de consumo, o último não.
Extremamente recomendado para petistas anti-Lula, que ainda não começaram a entender a complexidade do mundo, a ligação em rede de todos as decisões e a ausência quase completa de independência da comunidade internacional na vida política de um país.
Por isso, eu afirmo que estamos vivendo um bom governo: o inevitável internamente e uma política externa agressiva.
PS: Esse post foi reescrito com acréscimos, porque achei muito lacônica a primeira resenha.
Trilha sonora do post: Cat Power, 'He war'.
Escrito por -MOX- às 13h02
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OS DISCOS MAIS OUVIDOS DE MARÇO
Morphine, 'Cure for pain' (1993).
O MORPHINE é um trio americano composto por sax, baixo e bateria. Os caras estão na estrada desde a década passada, e fazem uma combinação de blues, jazz e rock. O elemento rock sem dúvida é predominante, mas a liberdade melódica e a inventividade dá uma cara totalmente genuína para a banda. Vale conferir.
Turin Brakes, 'The Optimist' (2001).
TURIN BRAKES é uma dupla de irmãos britânicos que toca um folk rock na linha do The Thrills. As músicas costumam ter violões ao fundo, ótimas melodias e boas letras. Na primeira ouvida, soou meio insosso, perdido. Depois, as melodas grudando no cérebro, mostrando uma harmonia poderosa e segredos deliciosos, especialmente pelos vocais. Som ótimo pra relaxar.
Queens of the stone age, 'Songs for the deaf' (2002).
O QUEENS OF THE STONE AGE é mais uma das bandas remanescentes do movimento de Seattle, no início da década de 90, contando, inclusive, nesse disco, com a presença de David Grohl na bateria, além do vocal do Screaming Trees - Mark Lanegan. Grohl havia gostado tanto do primeiro disco que resolveu tocar neste. O som é basicamente um hardcore explosivo, com riffs empurrados por uma bateria estridente, beirando ao metal. O álbum tem o engraçado de ser elaborado como se fosse uma rádio. A banda esse ano lançou seu terceiro disco - 'Lullabies for paradise'.
Thirteen Senses, 'The Invitation' (2004).
THIRTEEN SENSES é mais uma banda inglesa da linha new acoustic (aquela do Travis, Starsailor, Coldplay, Keane), o que, de certa forma, me desmotivou por algum tempo a baixá-los. A minha surpresa é que o disco é composto de músicas consistentes, puxadas por um piano e guitarras, o vocal é comportado, mas competente, e as melodias não dão sono (como anda o Travis e, em algumas músicas, o Keane). Vale a pena ouvir, especialmente as cinco primeiras.
Manic Street Preachers, 'Lifeblood' (2004).
MANIC STREET PREACHERS é uma banda inglesa que está na estrada há mais de uma década, tendo promovido várias mudanças no seu som. Acho que resenha do Gordura explica legal por onde andou esse disco. Está ocorrendo um verdadeiro revival dos anos 80. Esse disco do Manic é baseado em riffs a-la-TheEgde e, principalmente, vocais, bem altos, sonoros, pops. Nunca achei que fosse gostar de uma coisa dessas....
Interpol, 'Antics' (2004).
Banda americana da última geração, tem tudo de Joy Division que você possa imaginar. Depois de uma estréia aplaudida ("Turn on the bright lights", de 2001), existia uma forte expectativa do que vinha. E veio um disco ótimo, carregado de riffs poderosos, com dois ou três rocks para deixar o cara zonzo. 'C'mere' e 'NARC' são músicas de chorar (no sentido metafórico).
The Killers, 'Hot Fuss' (2004).
Hoje em dia, já é até desnecessário falar dos Killers. Depois que fiquei sabendo (sim, eu não ouço) que 'Somebody told me' está tocando até na Jovem Pan, acho que a eMeTeVê já deve ter feito reportagens bastantes com os caras. Bueno, ao ponto. Lá eu, idos de 2004, li duas ou três resenhas a favor da banda e baixei. 'Mr. Brightside', 'Somebody told me', 'Smile like you mean it' e daí por diante se mostraram rocks fodões; pra dançar, mas fodões. Ando ouvindo horrores.
Idlewild, 'Warning/Promisses' (2005).
IDLEWILD é uma banda escocesa que está na estrada de 1995. Entretanto, foi só agora que conheci e gostei pra burro. O disco oscila entre um rock lo-fi, um pouco estilo Snow Patrol, combinado com riffs roqueiros de distorção. O vocal lembra o Michael Stipe do REM, mas o som é mais furioso. Se o REM colocasse sal na sua música, seria algo do gênero. Até agora, para mim, o melhor de 2005.
Trilha sonora do post: Garbage, 'Why do you love me'.
Escrito por -MOX- às 18h42
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