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THE VERVE - febril e incansável
É tudo culpa do Mariano.
Gosto do Verve há muito tempo, mas graças ao "momento" do doutor, eu voltei a ouvi-los loucamente. E como é bom.
O The Verve é uma banda que se situa, nos movimentos do rock, como um pouco anterior ao estouro do britpop, que ocorreu a partir do "Definitely Maybe", do Oasis, sendo influenciado pela pouco valorizada música britânica da primeira metade da década de 90, entre as bandas chamadas de shoegazers. O nome foi dado pela indiferença das bandas em relação à platéia nos shows, quando as bandas instauravam "viagens sonoras" em cima de paredes e mais paredes de guitarras, formando melodias possantes e barulhentas. Nesse movimento estão, por exemplo, os grandes Jesus and Mary Chain e My Bloody Valentine.
O diferencial do Verve está na presença do gênio Richard Ashcroft, que, além de excelente vocalista, é um verdadeiro poeta. Assim, além do instrumental lisérgico que caracteriza essas bandas, o Verve traz pra sua música uma carga poética fantástica, repleta de melancolia, dúvida e inconformidade com a condição humana.
Venho ouvindo muito o Urban Hymns (1998), disco clássico por excelência, além do A Northern Soul (1995) e da nada vendida coletânea This is Music (2004). O som possui uma descarga instrumental em grau MONUMENTAL, além do vocal, ora discreto, ora grandiloqüente, do genial Ashcroft. O poder guitarrístico da banda é tal que os riffs, carregados de melodia, parece que vão retumbar de um pólo a outro do globo (quem duvida ouça 'She's a superstar'). Se existe algo que pode ser chamado de psicodélico, é o The Verve.
Destaco, das tantas músicas boas, 'Blue' (um delírio shoegazer com guitarras no volume máximo e riffs encorpados), 'Space and Time' (letra fantástica, debandando de um início calmo para uma explosão instrumental), 'History' (minha favorita atualmente, balada com vocais quase-suicidas e letra incrível), 'On your own' (outra balada inspiradíssima), 'Gravity Grave' (pela poderosa linha de baixo, que sustenta a música de forma impressionante) e 'Velvet Morning' (que se transforma e disforma, para voltar ao que era, uma canção de desespero).
Tudo isso sem mencionar clássicos mais conhecidos, como a pop 'Bittersweet Simphony' e as mais-que-baladas 'Sonnet', 'Lucky Man', 'The Drugs don't work' e 'One Day'.
Pra não dizer que tudo são rosas, não gostei da inédita 'This could be my moment', um bônus da coletânea. Achei um pouco descaracterizado o som da banda, sem soar convicente a mudança.
Trilha sonora do post: Mylo, 'Valley of the dolls' (nada a ver com a história, né?)
Escrito por -MOX- às 22h53
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