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FHC tem alguma razão
Há uns dias atrás, FHC andou declarando que o PT e o PSDB tem muito pouco de diferente, a diferença é só quem carrega o atraso.
Tem alguma razão.
Sem querer equiparar o Governo Lula com o FHC, já que os índices econômicos atuais são muito melhores e há vários avanços em questões tipicamente de esquerda (p.ex., cotas, aborto, bolsas em universidades, programas de renda), há algo de relevante no que ele falou.
A relevância está na dimensão estritamente política do Governo.
A política nacional hoje é polarizada pelo PT e PSDB e, vê-se claramente, nenhum dos dois consegue governar sem "carregar o atraso". Leia-se, por exemplo, ACM de um lado e Sarney de outro.
A experiência do PT aqui no Sul foi interessante porque foi dominada pela ala radical, que implantou seus projetos e fazia um ótimo governo. Mas, politicamente, foi um desastre! O radicalismo fez com que o governo não tivesse a mínima base parlamentar, perdendo não só na aprovação de leis, como também na derrubada de vetos e CPIs absurdas apoiadas pela mídia. Resultado? O que ficou de bom? Quase nada. Devido à instalabilidade política, nada virou lei e tudo foi soterrado pela governo seguinte.
A trajetória de Lula tem mostrado a necessidade, sentida (e repudiada pela ala mais radical) desde o início de se aliar ao "atraso", a fim de obter base parlamentar razoável. Por quê?
Viu-se, semana passada, uma coisa simples que é a indicação para um cargo do alto escalão da Petrobrás ser recusada pelo Senado, devido à postura intransigente da Ministra Dilma Roussef. Imagine o resto!
Ou seja: o atraso ainda governa o Brasil. O que Lula pode fazer é negociar com ele. E o mesmo ocorre com o PSDB, que, embora eu não concorde em quase nada da ideologia do partido, é bem melhor que PFL e PP, por exemplo.
Curiosamente, a mesma imprensa que critica o fisiologismo bate no Governo por não ter "força política". A crítica é contraditória, do tipo "se ficar o bicho pega, se correr o bicho come".
Isso é duro? É. Mas chamo atenção para um aspecto não abordado: é derivação da própria estrutura democrática que o Parlamento tenha força e, com isso, o Presidente não possa governar sozinho. Não adiantaria nada uma postura messiânica do Presidente se sua voz ecoasse no vazio.
Assim, o fisiologismo do Planalto em relação ao Parlamento é próprio da existência da democracia no Brasil. Do contrário, Lula mandaria todos à PQP e governaria do jeito que bem entendesse. A proteção contra o totalitarismo muitas vezes tem esse efeito reflexo.
A única saída para o Brasil, portanto, é que o voto para o Parlamento comece a seguir o caminho do voto para o Planalto, que, desde a era FHC, vem sendo mais esclarecido e politizado. Assim, os governantes poderão começar a governar sem precisar pactuar com o "atraso".
Agora, pense comigo: quantas pessoas tu conhece que já votaram num amigo, conhecido ou indicado para vereador ou deputado, independentemente do partido ou da ideologia?
Uma palavrinha sobre o caso Grafite

O Brasil está na frente da Europa.
O técnico da Espanha, Luiz Aragones, há um tempo atrás chamou o francês Henry de "negro de mierda" em um treinamento e não sofreu represálias da Federação Espanhola. O mínimo que deveria ter sido feito em um país que respeita os direitos humanos era a demissão.
Os clubes espanhóis com torcidas racistas (inclusive, para o meu pesar, o Madrid) estão sendo multados com merrecas de 600 euros. É muito pouco.
Na Itália, a torcida da Lazio exibe bandeiras fascistas e pouca coisa vem sendo feita a respeito. Di Canio, o principal jogador do time, fez uma saudação fascista à torcida em uma comemoração de gol. Não foi punido.
A Europa está pegando muito leve para um problema tão sério.
A pós-modernidade e sua lógica complexa está levando ao ressurgimento de ideologias perigosas, e pouco vem sendo feito a respeito. O problema é bem maior do que parece.
Embora uma prisão por injúria seja algo relativamente absurdo (e o caso do argentina é de injúria qualificada pelo preconceito, e não racismo), sou completamente favorável à repressão contra o argentino, a fim de estancar esse mal que percorre o mundo e, ainda hoje, coloca os negros em situação de inferioridade social. O racismo está bem quente, por baixo dos panos. É preciso começar a colocar isso em cima da mesa, discutir, não ficar com a ilusão de que é coisa pouca. A Europa não é exemplo. Vem sendo, para minha surpresa negativa, uma decepção.
Trilha sonora do post: Grandaddy, 'I'm on stand by'.
Escrito por -MOX- às 18h59
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