Mox in the Sky with Diamonds
  

Replay: OS DISCOS MAIS OUVIDOS DO MÊS

Semana passada, sufoco, no meio de estudos e mais estudos para a apresentação de um seminário para o meu pós-graduação, resolvo escrever um post. Uns 40 minutos, entre colagem e escrita. Quando tu vai no "salvar e publicar", aparece uma merda de tela e simplesmente não dá para recuperar o post.

Desculpem, mas não tive outra opção a não ser mandar tudo pra PUTAQUEPARIU. Mas vamos ao que interessa!

 Pata de Elefante, "Pata de Elefante" (2004).

Tu pode notar que eu passei por um mês em que preferi, sinceramente, o INSTRUMENTAL ao rock mais convencional. A Pata, banda daqui de POA, não inventa: três talentos tocam um rock'n'roll setentista com raízes fincadas em Hendrix e Cream. Mas não é só feijão-com-arroz: tem uma pitada de música negra, às vezes um blues, às vezes funk, e uma das faixas é surf music de deixar Mr. Brian Wilson babando (o que não é difícil, considerando o estadinho da figura, embora nem sempre por questões musicais...).

 Arcade Fire, "Funeral" (2004).

Pense nas coisas mais esquisitas que tu já ouviu na vida. Desde a voz de um sentimentalóide-homo-esquiso (Moz) até as experiências com música oriental dos Beatles. Arcade Fire é poético, tem letras ótimas, mas o som, na primeira ouvida, é chocante. Na segunda, estranho. Na terceira, bom. Na quarta, parece essas drogas que os caras usam tipo cogumelos e tal, que deixam em outro mundo. E pedem bis (pouco importante, mas eu nunca comi cogu).

 Medeski, Martin & Wood, "End of the world party (just in case of)" (2004).

O QUÊ? Esse cara agora é metido a ouvir JAZZ? É óbvio que eu não tenho a pretensão de falar sobre algo que não entendo por aqui, e realmente eu entendo pacas de jazz. Mas esse disco, me vendido como "jazz para quem gosta de rock", é delicioso nas suas linhas instrumentais caóticas e variadas, dando ótimo humor (na medida do possível, of course) para as manhãs chatas do horripilante serviço público. Até pensei em começar a ouvir Miles Davis.

 Grandaddy, "Sumday" (2003).

Quanto mais eu baixo música, mais me convenço que 2003 foi um ano de discos legais. Tipo, Yeah Yeah Yeahs, Muse, Rapture, Thrills, Libertines, Coral, Strokes, White Stripes, ou Radiohead. Não é pouca coisa. Pois bem: bem-vindo ao clube, Grandaddy. Nas resenhas que andei lendo, ninguém descreveu assim, mas, vá lá: imagine-se os vocais melancólicos do Neil Young tocando Radiohead da fase The Bends. Tipo, músicas pra matar de suaves, simples e absolutamente agradáveis.

 Ambulance Ltd, "Ambulance Ltd" (2004).

Te lembra da história do sapatinho e de "take me out", do Franz? Esquece. Nenhuma música do ano passado pode ser melhor do que a viajante, densa e encorpada "Yoga means union". Um instrumental "cheio", preenche essa música com esse nome cool pra burro e dá uma empolgação dos INFERNOS. O álbum não alcança o mesmo nível, mas todas as músicas são competentes.

 Tortoise, "It's all around you" (2004).

Certamente o rótulo mais pentelho que já inventaram (e olha que eles adoram inventar) é o de pós-rock. Pôrra, que merda pode ser "pós" rock, um gênero que pretende abocanhar todos os outros gêneros como se fosse um tubarão faminto? Não sei, nem quero saber. Sei que esse disco, livre na sua complexidade, amarra bem diversos gêneros, desde jazz até funk, dub e um pouquinho, bem pouquinho, de rock. E que é bom para aqueles que querem descanso da barulheira, mas ainda não começaram a gostar de Kenny G ou Enya.

DESCENDO A LADEIRA:

- Garbage, "Bleed like me" (2005) - ouvi, ouvi, ouvi, mas não grudou. Salvo "run baby run", todas as outras parecem auto-felação descarada. Coisa de veterano.

- The Bravery, "The Bravery" (2005) - não é que seja ruim. É que parece aquelas coisas que vão ficar boas, vão ficar boas, mas acabam sempre nesse futuro hipotético...

- Doves, "Last Broadcast" (2002) - demorou, mas eu me convenci. Não gosto de Doves. Fodam-se vocês. Eu não gosto e pronto. Não adianta filuras, eu nem vou baixar o "Some Cities", deste ano...

Tudo isso, evidente, sem esquecer da absoluta SUPERIORIDADE do The Verve, que continua me atormentando com suas guitarras psicodélicas e ataques de hiper-humanidade do seu vocalista.

Como disso o Mariano, em frase histórica e lapidar, "depois do Verve tudo fica sem alma".

 

Trilha sonora do post: Fischerspooner, "Emerge".  



Escrito por -MOX- às 23h46
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