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NICE DREAM, NICE DREAM, NICE DREAM....
 
Normalmente não tenho me lembrado dos meus sonhos. Mas tem certas vezes em que o conteúdo é tão animal que a gente acaba se lembrando e querendo sonhar de novo. Não sei se pelo excesso de ceva, absinto e caipira no cérebro que eu ingeri antes de dormir, ou se simplesmente pela boa sorte, mas sonhei na noite passada que estava em um show do U2, no máximo na quarta fileira, vendo Mr. Bono Vox e The Edge quase cara a cara. O show era tranqüilo, me lembro até de anotar o setlist, tendo entre as músicas "The Ground beneath her feet" e "Electrical Storm", tendo, quando me dei conta, passado a uma guitarreira que, embora não fosse reconhecível, soava como "Vertigo".
Tudo seria simples se a mulher mais bela de todos os tempos - a DEUSA Sharon Stone - não tivesse descido do palco (?) e viesse na minha direção, cumprimentando as pessoas ao redor até chegar EM MIM, me chamar pelo nome e dizer: "desculpe não poder te beijar, é que não quero que as câmeras nos peguem".
Depois ainda rolou um papo com o Bono, na saída do show.
Imaginem! Na mesma noite, conversa com o homem mais próximo de Deus e a relações com própria deusa da sensualidade e beleza. Foi demais para mim. Tão demais que até acordei de bom humor, o que é raríssimo, ainda mais considerando que era sábado.
E de melhor humor fiquei quando tocou, em seqüência, "In my place" (Coldplay), "Paranoid Android" (Radiohead) e "Lyla" (Oasis) na MTV de manhãzinha. Um bom sábado.
GURIZADA MEDONHA
Estou há horas pra falar com maior amplitude do THE CORAL por aqui. Isso porque "Magic and Medicine" (2003) foi um dos discos mais difíceis de me acostumar, mas, depois de gostar, pareço ter sido introduzido num mundo alheio ao nosso.
O Coral é uma banda inglesa composta por seis malucos que tocam um cacetada de instrumentos, inclusive saxofone e trompetes. O som dos caras pode ser tido como uma mistura de country rock com ABSURDA psicodelia, remetendo aos sons dos anos 60 quando os caras tomavam, na era "flower power", muito LSD. O AllMusic coloca como influência dos caras, por exemplo, o Sr. pasta-de-dente-no-cabelo Syd Barret. Nenhum dos membros tem mais de 23 anos. Ou seja, os guris são DOENTES mesmo - ou fumam muita maconha pra se inspirar.
Com três discos na garupa - The Coral (2002), Magic and Medicine (2003) e Nightfreak and sons of becker (2004) - a gurizada não pára de trabalhar - e viajar. O som não tem nada de comercial, na verdade é quase impenetrável, mas aqueles que têm paciência para se introduzir em mundos mais amplos e malucos deveriam tentar. Fiquei totalmente viciado nos dois primeiros discos, viagens sonoras que misturam ritmos alucinados com vocais em coral (ãh!), repletos de invasões de metais prontos para nos jogar em outra dimensão. O ritmo é caótico. Algumas músicas beiram ao sinistro.
Alt-folk-country-rock-psicodélico. Êta loucura boa.
No próximo post, comento "Don't believe the truth", novo disco do Oasis.
Trilha sonora do post: Super Furry Animais, "Carry the can".
Escrito por -MOX- às 18h54
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OLHOS LISÉRGICOS PARA ANIMAIS SELVAGENS
OVERDOSE de filosofia talvez explique. Richard Rorty na veia - somos o que falamos. Seres que encontraram uma forma de reproduzir em sons, e depois sob outras formas, as sensações causadas pelo mundo exterior. Depois, parece ter havido alguma espécie de encanto de magia, de maneira a termos a pretensão de achar que esse mundo caótico e múltiplo possa se adequar a nossa forma de ver as coisas, como se essas mesmas coisas pudessem ter uma forma "em si mesma", algo que "se mostrasse como tal".
Cada olho é um olho diferente, e a águia não vê o mundo da mesma forma que eu. Cada mundo é um mundo construído, é impossível falar do mundo "como ele é", porque ele não "é" nesse sentido, ele não possui sentido.
Não. Apenas empilhados de bichos que emitem sons e, depois de um tempo, passaram a construir um mundo de acordo com as sensações do seu próprio mundo. E, no meio da festa, na explosão de pensamentos sobre tudo e todos, uma espécie de angústia e impotência parece ter me assolado, e de repente me dei conta da nossa insignificância enquanto meros bichos.
Bichos que se reúnem em ambientes escuros para se acasalarem. Que, transmitindo código de um a outro, querem apenas saciar seus instintos mais primitivos, disfarçados sob as vestes de uma história construída por nossas próprias cabeças. Vazias - palavras vazias eram destiladas como se fossem pedaços de bosta - tudo insignificante perante a mesmice da existência.
Peguem o exemplo da alma. É como se estivesse um "outro eu" dentro de nós, feito de uma outra substância, capaz de viver eternamente e independente do nosso corpo. Nada mais nonsense que isso. A alma não existe - é um reflexo da emissão de sons, que, como um espelho, se transforma em linguagem e dá a capacidade de se refletir indefinidamente no nosso cérebro. A consciência não é diferente da vontade de peidar. Não há nada alheio ao corpo, a razão é o reflexo da linguagem, e não uma pretensiosa capacidade além do normal do ser humano.
Aristóteles errou. Não somos mais que animais selvagens. Apenas aprendemos formas diferentes de lidar com situações. No final, estamos no topo da cadeia alimentar (que não deixa de ser só um conceito), e só. O fato é: além de tudo, as falas eram vazias, não havia nada a se dizer naquela festa. Todos queriam apenas o acasalamento, movimentos patéticos (dança) que cumpriam uma cerimônia ritualizada que disfarça o simples instinto natural. Repetindo as mesmas frases que o controle nos diz que devemos repetir. Mecanicamente. Não somos diferentes dos robôs - Matrix Revolutions já deveria nos ter ensinado. A diferença é simplesmente entre orgânico/inorgânico - nada mais. O resto são palavras.
No final, todos sós, e doentes na solidão. Procuramos o outro para amansar nossos instintos. Bichos selvagens, predadores, insaciáveis, repletos de estratégias perversas para saciarem os ideais mais espúrios um hedonismo chulo, vazio e manipulados. Patricinhas e Pittbulls.
Alguns são seu próprio tempo de uma forma tão intensa que deveriam ser dispensados das coisas normais da vida. O fardo de ser o próprio momento é pesadíssimo.
Lacan e um alívio
Esses dias revi o ótimo "A Vida de David Gale", mas a menção é só para lembrar a cena inicial (totalmente conexa com o filme), na qual Kevin Spacey explica a filosofia de Lacan. Nossos desejos são irrealizáveis por sua própria estrutura, o desejo é intrinsecamente insaciável. Portanto, a vida não faz sentido se a busca única é a felicidade, já que os desejos nunca serão saciados. Em vez disso, a única forma de dar sentido à vida é perseguindo ideais e até, quem sabe, pelo auto-sacrifício.
Trilha sonora do post: Oasis, "Mucky Fingers".
Escrito por -MOX- às 23h45
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