Mox in the Sky with Diamonds
  

TEACHING ROCK'N'ROLL

 

Photography - James Burns
Sleeve Design and Art Direction - Brian Cannon for Microdot, assisted by Matthew Sankey 

Os "tios" Gallagher dão aulinha de rock'n'roll.

 

Esqueçam Libertines, Futureheads, Razorlight, Bloc Party, Kaiser Chiefs, 22'20's e todo esse pessoal do "novo rock".

O Oasis voltou. E veio com tudo.

Depois de um debut que está entre os melhores discos de rock de todos os tempos (Definitely Maybe), um sucessor à altura, repleto de hits instantâneos [(What's the Story) Morning Glory], a banda resvalou em Be Here Now (com ótimas músicas, mas tristemente longas), Standing on the shoulder of giants (esse sim, verdadeiro tropeço) e Heathen Chemistry (bom disco, mas para fãs), a banda entrou CHUTANDO A PORTA dos ano com um disco poderoso, consistente, variado e seguro - "Don't believe the truth".

Fazendo o que sabe - rock'n'roll  básico com influência do rock anos 60/70 -, o Oasis veste traje de gala para voltar ao mainstream com todas as honras que tem direito. E deixa no chinelo todo esse pessoal que faz esse sonzinho misto de anos 80 com punk cru (misto de Clash com todas as coisas que rolaram naquela década maldita).

O disco é o melhor desde "(What's the Story) Morning Glory" porque varia o repertório, trazendo influências novas e possuindo uma certa dose de experimentação moderada, de forma a não descaracterizar o som poderoso das guitarras nos tons mais altos que existem de Noel e o vocal punk de Liam Gallagher. Ao que interessa:

1. Turn up the sun - Guitarras. Vocais roucos. Som inchado. Lembra a fantástica "Hello", abertura de luxo do Morning Glory. É o primeiro pedal: atenção, aí vem coisa boa.

2. Mucky Fingers - Choque. Que é isso? A melodia fica em segundo plano e a música vira uma narrativa, com instrumental minimalista e constante. Uma cruza das influências inéditas de Bob Dylan (principalmente no vocal de Noel, que não traz aquela esticada chata da voz) e Velvet Underground.

3. Lyla - o primeiro poderoso single. Influência dos Stones, "Street fighting man". A que mais me lembra "Definitely Maybe". Fantástica!

4. Love Like a Bomb - Música do Liam, remessa obrigatória aos Beatles. Embora não seja absolutamente fora do normal, é deliciosa.

5. The importance of being idle - Certamente a melhor do disco! Rock'n'roll básico, setentista, com um tributo ao Who e algo próprio. O vocal do Noel não ganha aquele tom grandiloqüente, não, é "lazy" mesmo. É certamente a melhor música que ele já cantou, ao lado da obrigatória "Don't look back in anger". Nem parece aquela matraca gritando "Little by little". Desopilado, com refrão fantástico, em cinco segundos te põe cantando. Garanto. Até agora, a música do ano.

6. The meaning of soul - um punk rock raivoso. 1min45seg. Pilhadeira.

7. Guess God thinks I'm Abel - mais uma do Liam. A mais beatle do disco. Uma base, aliás, colada dos Beatles. Contagiante. E tem uma VIRADA que só dá pra definir como CULHUDA. Na real, se o Liam começar a incorporar, com vontade, esses elementos nas músicas, pode virar um compositor tão bom ou melhor que o mano. Excelente.

8. Part of the queue - a que eu menos gostei. Aquele vocal arrastado que eu não gosto do Noel, enfim...

9. Keep the dream alive - as velhas baladas épicas do Oasis. Com toda identidade do vocal do Liam, muito boa. Oasis-pop. Oasis-domina-o-mundo.  

10. A bell will ring - PUTAQUEPARIU. Isso é que eu chamo de rock, pôrra. Ritmo pegado, contagiante, sem frescura. A banda estraçalha. Demais, demais, demais. A segunda melhor do disco, para mim.

11. Let there be love - "Let there be love, let the be loooove", enfim, aqueles mesmos teclados das velhas baladas, chupados de "Imagine", com vocais maravilhosos e empolgados dos tios... Oasis-pop. Oasis-dominda-o-mundo. Pode anotar.


Moral da história: na boa, só o Coldplay tem condições de fazer um disco tão bom quanto esse. Agora, não me pergunte como.... 

 

Trilha sonora do post: Damien Rice, "Cheers darlin'".   



Escrito por -MOX- às 22h11
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