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Os mais ouvidos do mês
Los Hermanos, "Ventura" (2003).
Falar dos hermanos é meio dizer o óbvio, mas vá lá... esse disco é cheio de emoção, sinceridade, simplicidade, poesia. Desde o "Cara Estranho" até "O Vencedor", passamos pelas mais diversas situações da vida, pelas mais variadas poesias da vida, tendo a banda uma marca pouco visível na terrinha: originalidade. Com metais, guitarras ou violões, a banda consegue chegar até onde quer: nossas emoções.
Blanched, "Blanched toca Angelopoulos" (2004).
Bandinha gaúcha pouco conhecida por aqui, que mergulha na loucura do pós-rock e traz esse magnífico EP (?) semi-instrumental. Digo "semi" porque, na verdade, ao longo das músicas, se repetem entre efeitos magnânimos e guitarras ensurdecedoras frases de efeito, do tipo: "tristes daqueles que procuram a verdade dentro de si mesmo, pois ali só há espera". Ou algo do gênero, de Nietzsche. Pra quem gosta do pós-rock do Mogwai ou das paredes de guitarra do My Bloody Valentine, é o BICHO.
Miles Davis, "Birth of the cool" (1948).
Que dificuldade para conseguir saber se esse era, ou não, o primeiro disco do Miles Davis. Procurando ali, aqui ou acolá, acabei optando pelo tradicional AllMusic, baixando esse como primeiro. Mas a carreira do moço remonta a 1945. Não vou falar sobre o que não sei: entendo quase nada de jazz. Mas, a partir do MM&W, comecei a gostar do bagulho e baixar alguma coisa. Comecei pelo início. Trumpetes matadores, ritmo caótico, enfim...
Wado, "Manifesto da Arte Periférica" (2001).
É bem difícil definir o som do Wado. Na real, eu diria que é um samba triste que está ali no fundo. Mas o que mesmo importa é ser, de fato, recheado de timbres, palavras e ritmos periféricos, oscilando entre vários estilos, com alta dose de experimentalismos. Algo entre Mundo Livre e O Rappa, com alta dose de samba no fundo (já foi definido como "Jorge Ben maconheiro" pelo S&Y). pra quem gosta da cultura alternativa brasileira.
Grandaddy, "Under the western freeway" (1997).
Impressionante essa banda, que já defini como uma cruza entre Radiohead e Neil Young, é boa e, sobretudo, segura. Com muito mais efeitos que o poderoso e atual "Sumday" (2003), esse disco vem recheado de ótimas melodias e ousadia, mostrando um senso inovador fantástico - até porque foi lançado na mesma época (e portanto não sofreu grande influência) do lendário "OK Computer". Olhando pra trás e imagindo aquele ano, 1997, dá vontade de voltar no tempo. E cuspir nessas bandinhas que acham o The Cure a banda mais bacana do mundo.
E....
Bright Eyes, "Digital ash in a digital urn" (2005).
Esse é GÊNIO. Um piá de merda que simplesmente ACERTA em todos os versos todas as situações tensas, sufocantes e decisivas da vida. O próprio título já diz: "Digital ash in a digital urn" - o disco, amplamente digital, e tem um ambiente totalmente sufocante. Já começa com respiração ofegante. A existência humana, esse complexo de emoções turbilhantes, parece colocado na sua forma de cinza em um pequeno frasco, esse álbum simples. As letras acertam em cheio: "from the deepest part/of the human heart/the fear of the death expands...", na maravilhosa "Arc of time", a melhor do disco. Musicalmente, o disco é perfeito. Posso dizer: o melhor disco eletrônico desde "Kid A", do Radiohead. Recuperando as "camadas sonoras", do velho Massive Attack de "Mezzanine", a maioria das músicas é dupla - duplicidade de ritmos, descontinuidade. Elementos de música latina, árabe, trip hop, rock e até choro de bebê se escondem por baixo de uma camara densa de ruído eletrônico, contínua, massante, hipnotizante e, sobretudo, sufocante. Prestem atenção na música. Prestem atenção nas letras. Enfim, baixem/comprem logo.
NA LINHA INTERMEDIÁRIA
The Dears, "No Cities Left" (2004).
Afora a "clonagem" de Morrissey, nessa mania chata de imitar o mais chato, há momentos extenuantes, como a magnífica "Purgatory", onde delírios a-la-Mogwai e pseudoprogressivos dar um ar conceitual ao disco.
DESCENDO A LADEIRA:
Stereophonics, "Sex, Language, Violence, Other" (2005) - Dando a real: o Stereophonics é uma banda com um vocalista de vozeirão, porém brega e inspirado num hard rock superadíssimo. Acertaram a mão em JEEP, mas, ao que parece, ao acaso, uma vez que abandonaram aquele country-rock para se afogar num hard rock palha, porco, chato pra burro. Lixo.
Gram, "Gram" (2004) - Eu tentei gostar do Gram. Sabe aquele papo: brasileiro, tenta ser original, não toca "hardcore melódico" (um eufemismo para BOSTA), enfim... Até emulam Radiohead! Imaginem, que evolução: uma banda brasileira que emula Radiohead fase-Bends, com aquela guitarreira de Just! É um passo e tanto. Mas confesso que, ao ler no Omelete uma discussão do vocalista com uma colunista que chineleou eles, perdi totalmente o respeito. Pôrra, meu, regra número 1: música não se explica. Quer se explicar, vai escrever literatura. Uma chatice conceitual fez com que eu colocasse essa banda no devido lugar: lixo.
Trilha sonora do post: The Coral, "In the Morning".
Escrito por -MOX- às 01h12
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Enquanto impera a preguiça
(ou: o niilismo ainda é o pior)
Enquanto dá preguiça de trocar o endereço do blog, vou deixando umas palavras por aqui. O último post, pelo qual tive um amor fugaz, porém intenso, pode ser resumido na idéia de que "eu sou um punhado de merda". O porquê, deixo em aberto. E não era lamento de diário ou coisa do gênero.
Não tenho solução para o Brasil e não sei se houve ou não o "mensalão". Aliás, impressionante como pouca gente - principalmente entre a imprensa voraz - se arrisca a dizer: HOUVE. Porque tudo é contraditório e dito por interlocutores suspeitos.
O que eu tenho pra dizer, agora, é apenas o seguinte:
- A chamada "reforma política" é necessária. Não porque sejamos velhos, mas porque a nossa política tem, HOJE, uma dinâmica que o constituinte não previu que teria. O Brasil é parlamentarista. Isso é fato. Não dá mais para o Executivo ficar nessa relação fisiológica com o Parlamento. As leis estão emperradas. Somente com a adoção logo do modelo de chefia de governo e parlamento como fiscal poderemos andar um pouco.
- Não existe algo mais conveniente do que PT e PSDB, os dois maiores inimigos atuais, se unirem numa chapa só, jogando todo "atraso" do outro lado. Óbvio que isso não vai acontecer. Obviamente, tenho minhas divergências (e não são poucas!) com os tucanos, assim como eles com o PT. Mas, sem sombra de dúvida, são os dois partidos que mais se aproximam da idéia republicana, mais estão distantes do clientelismo, do coronelismo, da política tradicional brasileira, como é o caso de PP, PFL, PTB, PMDB. Além disso, imaginar uma compatibilidade de projeto de PT e PSDB, se vocês pensarem bem, é bem mais fácil que imaginar de PSDB e PFL, ou PT e PL.
- Uma alternativa a essa idéia, que não vai ocorrer nos próximos anos, pelo menos, é o fortalecimento dos partidos, especialmente em conjugação com o modelo parlamentarista, que certamente "empurraria" o Brasil para o bipartidarismo, enfraquecendo, desta forma, as siglas fisiológicas. Com PT de um lado e PSDB de outro, teríamos menos fisiologismo.
- A corrupção é inerente à política. Não na Brasil - no mundo. Tanto a corrupção de "idéias", contra o que defendem puristas (que acharam que Lula, a despeito de tudo que disse na campanha, faria revolução bolchevique), quanto a corrupção criminosa mesmo. A tragédia (para ser nietzscheniano) é inerente à existência humana. Não há como a evitar, o que podemos fazer é levá-la a níveis toleráveis.
- Por fim, não é o Governo (seja Lula, FHC ou outro qualquer) que vai encaminhar a reforma política. Nesse caso, o fisiologismo não funciona, porque esbarra nos privilégios corporativos e nas concepções profissionais de cada deputado ou senador, individualmente. NENHUM Governo vai conseguir mudar isso. É somente o Congresso Nacional que pode o fazer. Com muita pressão. Se fizer.
- Reitero: o problema do Brasil é o "atraso" que governa ainda, independentemente de quem for eleito.
- O niilismo político é amigo da direita. Ainda é melhor o menos pior do que o pior.
Trilha sonora do post: Coldplay, "Swallowed by the sea".
Escrito por -MOX- às 21h50
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