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Mox in the Sky with Diamonds |
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ACÚSTICO MTV BANDAS GAÚCHAS

Depois de comprar o CD, ouvi-lo algumas vezes, fui ver ontem o show do acústico bandas gaúchas.
O show começou com Wander Wildner, um cara bacana, tosco, roqueiro, acostumado com o formato acústico. Abriu com as ótimas "Bebendo vinho" e "Eu não consigo ser alegre o tempo inteiro", a primeira um clássico aqui no Sul, conhecida por 90% das pessoas que vivem antenadas com o mundo. A segunda anda tocando na eMeTeVê ultimamente. Depois de músicas mais fracas, o show fechou com "Eu tenho uma camiseta escrita eu te amo", também boa música, letra super-lôca.
Bidê ou Balde, que já qualifiquei como mediana e mantenho, fez um baita show. Impulsionados com essa polêmica ridícula que vem rolando aqui no Sul, tocaram com suprema empatia com a platéia. Carlinhos Carneiro desfilou pelo palco, dando um punch no clima, mas, a meu ver, o destaque foi mesmo o baterista. A boa "Melissa" me agradou. As demais ficaram num nível bom, seguidas de "E por que não" cantada apenas pela platéia, em atos que deveriam fazer refletir entidades policialescas que se acham acima do bem e do mal.
Momento bom. Entre no palco a banda mais esperada - Cachorro Grande. Visivelmente, um banda muito mais encarnada no espírito rock'n'roll, pronta para fazer aquilo que queremos - quebrar tudo. Entretanto, tenho que admitir: o show foi apenas médio. Embora o Beto Bruno tenha cantado como nunca, soltando seu gogó em músicas espetaculares como "Hey Amigo", "Sexperienced" e "Que loucura!", ocorreram algumas confusões instrumentais e, de modo geral, a banda pareceu engessada no formato acústico. Compreensível, para quem ainda precisa ganhar espaço em nível nacional. De qualquer forma, o estilo rock está acima de erros e acertos: é exatamente a revolução, a negação, a desconstrução que faz do rock o que é.
Por fim, o bom show do Ultramen, banda que conjuga diversos estilos - rap, reggae, dub, funk, soul e até rock - solta uma seqüência de hits radiofônicos, executados com competência, combinando um manancial instrumental que traz percussão, teclados, DJ, três vocalistas, além de baixo, bateria e violão (em certo momento, até guitarra).
O que dá pra concluir sobre isso tudo é o seguinte: o formato acústico já encheu o saco. Surgiu num momento altamente elétrico no rock - lembrem-se que nos EUA era época de Nirvana (grunge) e na Inglaterra dos shoegazers (Jesus and Mary Chain, My Bloody Valentine, The Verve), além de uma certa ascensão do metal (Metallica, p. ex.) - surgindo como contraste para esses artistas. Os dois melhores momentos - Eric Clapton e Nirvana - revelavam um formato totalmente minimalista, inclusive, no caso do Nirvana, com um repertório cheio de músicas diferentes.
Outros bons momentos existiram - Alanis, Cranberries, Alice in Chains, Neil Young e os extra-oficiais Oasis e Pearl Jam -, inclusive em nível nacional - Capital Inicial, Titãs (I), Legião, Gilberto Gil -, mas o formato está claramente esgotado. Não tem um artista que, bem procurado, não tenha deixado versões acústicas das suas músicas. O ineditismo e a criatividade acabaram, se banalizaram. Além disso, um monte de genete não respeita mais a idéia minimalista, o som é "cheio", totalmente próximo ao original, de forma que a idéia fica insossa, redundante, desnecessária. A maior vítima, nesse show, foi o Cachorro Grande, com seu show eletrificado de muito maior qualidade.
Enfim, qualidade. Essas coisas que ninguém se importa mais.
Trilha sonora do post: Grêmio vs. São Raimundo.
Escrito por -MOX- às 22h00
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ROCK'N'ROLL EXISTE NO BRASIL: em duas partes
I
Sobre os que apontam o dedo
BIDÊ OU BALDE é uma banda mediana aqui do Sul (acho que nem tenho mais leitores de outros Estados, como antigamente, mas, enfim...) que toca rock, sim, um negócio que eles mesmos pretendem neoromântico e pá. O som é mediano, bem melhor que Charlie Brown ou CPM, mas não chega a ser grande coisa.
Na humanidade, sempre há aqueles que apontam o dedo. Os que chamei, em um dos meus posts favoritos, com sutileza típica, de fascistas. Aqueles que não conseguem conviver com o diferente. Aqueles que estão prontos para colocar o dedo em riste: sua ação é basicamente dizer "não pode", "isso é um abuso", etc. Espalhados pelos quatro cantos da sociedade, não apenas se julgam os "normais", o "modelo a ser seguido", como também se acham capazes de dizer o que deve e o que não deve ser dito.
São esses que agora apontam o dedo para o BIDÊ e dizem: "e por que não?" é pedofilia. Ouvem Enya e Kenny G em casa, porque simplesmente NÃO ENTENDEM o que é arte - no caso, arte musical. Se acham arautos de uma verdade tão básica, tão definitiva, que estão prontos para apontar o dedo em riste e dizer: "isso não pode ser dito". Eles, os arautos da verdade, acham que há pessoas que não sabem discernir o que é arte e o que é apologia. Esses mesmos "cordeiros", unidos em um bando redundante e numeroso, acham que existem pessoas que não têm a mesma "capacidade" que eles de não ser pedófilos. Acham que essas pessoas precisam de proteção.
FREUD dizia: "e quem me protege dos bons?".
NIETZSCHE dizia que DARWIN errou: não são os fortes, mas os fracos que prevalecem ao final. Eles se juntam e, na sua maioria, operam a destruição dos fortes. Esmagadas pelas forças da ignorância, pilhas de artistas foram, provavelmente, desperdiçadas ao longo da história por esses "senhores da verdade". Esses que são capazes de discernir o que é bom e o que é ruim, o que deve e o que não deve ser dito, quem deve e quem não deve ouvir. Todo esse paternalismo bonzinho ampara que se diga que "e por que não?" é pedofilia. Todo esse comum, médio, ordinário, normal, bom cidadão, ordeiro, trabalhador, puritano, moralista.
Pra mim, essa verdade é coliforme fecal. A verdade desses sujos, no fundo, é a própria putrefação da sua vida medíocre transformada em moral absoluta. É o fraco que se perpetua e culpa o forte por ser superior. Não, nós não queremos a sua sujeira. Felizmente, estamos em uma democracia liberal. Vocês tentarão, mas não levarão. Por vocês, NABOKOV não teria publicado Lolita. KUBRICK não teria feito o filme. Porque vocês se sentem capazes de dizer a um artista - alguém infinitamente MELHOR que vocês - que fedem a fezes da ordinariedade, o que ele pode ou não pode fazer. Vocês se acham capazes de "tutelar" as pessoas, como se elas fossem meros joguetes na mão dos malvados artistas.
Entre vocês - escória que daqui a uma geração serão esquecidos - e imortais como Kubrick e Nabokov, quem importa? O poder é uma ilusão.
II
UM SHOW
O indie rock nacional ganha um nome: ALTER EGO. O show abre com "Apenas um" e transmite a mensagem: isso aqui é um show de rock. "Festa dos Mortos" foi um legítimo saltitar de cadáveres, espancados pelas pauladas instrumentais que saíam do palco. "Ninfomania" e "Beer Man" já são hits, estão prontos para entoarem como odes à boa-vida, ao rock na sua acepção mais tosca e clássica: sexo, drogas e rock'n'roll. "Me desculpe foi mal" é quase um hino político-sarcástico: niilismo puro. Quanto aos covers, Strokes foi executado com uma perfeição ímpar: "Reptilia", particularmente, foi a reprodução exata do embalo empolgante, guitarreiro, da banda do NY. Oasis foi o de sempre: básico, porém sujo e pesado, como manda a regra, especialmente quando se trata de Definitely Maybe. "Wild Horses", combinada com a própria "Golpe de Estado" (que possui uma alternância de velocidade na melodia fantástica), foi um momento-melancolia, recheado de bêbados cantalorando a vida boa de quem sabe viver. "Tecido Conjuntivo Propriamente Dito", embora talvez não tenha sido tão empolgante quanto algumas outras, talvez seja, na minha opinião, a melhor música de rock nacional. Tipo, muito melhor que qualquer uma dos anos 80, a época de ouro (talvez uma ou outro dos Hermanos seja, pra mim, tão boa quanto). O riff pesado e repetitivo, combinado com um vocal agressivo, surpreendentes no meio da música, jogam o Alter Ego para as portas abertas do rock alternativo. Um baixista que não erra, com linhas de baixo fortes e velozes. Um guitarrista competente, sólido, seguro. Um baterista que é o próprio DAVE GHROL, porque ESMURRA a bateria, dando um crescente musical ao som ao vivo que "inchou" pra burro o som. Vocal seguro, carisma, embora meio viado (hehehe).
Alter Ego entra no rock nacional assim: pedalando a porta da frente.
Trilha sonora do post: The Secret Machines, "The Pharao's daughter".
Escrito por -MOX- às 20h16
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