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SER HUMANO: MÁQUINA DE DESTRUIÇÃO
Já faz um tempão que FREUD escreveu sobre nosso potente inconsciente. E, ali, falou da nossa pulsão de morte: uma tendência de retorno ao estado anterior (estado bruto), ou seja, destrutividade, segundo meus parcos e porcos estudos de psicologia. Até hoje, contudo, há gente que se acha acima do bem e do mal.
Esse tampão dos nossos baixos instintos, da nossa violência interna, do nosso desejo de destruição, entretanto, não pode existir sem algumas rachaduras, pequenas passagens por onde essas tendências terríveis vão passando. Mesmo o cidadão mais "de bem", essa categoria nojenta inventada, carrega dentro de si essa vontade de destruir, essa violência. A sociedade não é algo "lá fora", mas sim (aprendi com Norbert Elias, "A Sociedade dos Indíviduos", livro ótimo pra quem gosta do tema) uma interação entre as reações individuais de cada um numa cadeia de tempo (incluindo gerações passadas), em que as opções da pessoa são livres, porém limitadas aquilo que a sociedade lhe oferece, porque não existe esse "sujeito" cartesiano e depois iluminista, capaz de elaborar pensamentos fora do seu aprendizado social. Pois bem: essa "sociedade" tem que deixar frestas para que a destrutividade humana seja exposta.
E a nossa fresta, agora, é o tal criminoso. Contra ele, tudo é permitido. Os mais baixos instintos, os mais violentos, são legitimados contra o criminoso. A mínima racionalidade é deixada de lado. As bestas-feras que somos nós têm a liberdade, autorizada socialmente, de liberarmos nossas tendências mais sádicas, irracionais, violentas, doentias, contra o "bandido". É como uma válvula de escape. Nos nossos dias, o criminoso é o bode expiatório que paga pelas nossas vontades mais torpes.
Por isso, atos abomináveis como a tortura ou a pena de morte (assassinato), nesse caso, são "justificadas". Por alguma razão, matar e torturar deixam de ser coisas ilegítimas. Na verdade, somos bombas prestes a explodir, bombas altamente destrutivas. Pego o "criminoso", abre-se um espaço social próximo ao "estado de guerra" de Hobbes: tudo é permitido. Até deputado (!) ir ao Jô defender a tortura. Se o Gordo fosse realmente culhudo, teria cuspido a água da sua xícara no deputado e ido embora (claro que eu não vi o programa, me contaram). A defesa da tortura e da pena de morte, por isso, são apenas os nossos desejos baixos, naturais, instintivos, de matar, torturar, maltratar. Nada mais que isso. Nada justifica esses fatos: as pessoas que defendem, na verdade, apenas expressam seus desejos por meio das "frestas" sociais que permitem liberá-los.
O criminoso é o bode expiatório, portanto, da vontade de matar, torturar, maltratar, cercear liberdade. Ainda somos animais, porém alguns se acham menos que os outros.
Trilha sonora do post: Cachorro Grande, "Agora eu tô bem louco".
Escrito por -MOX- às 00h33
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O MELHOR DE TODOS

Minha razão me dizia que X-MEN2 seria o que de melhor daria pra fazer em termos de adaptação de quadrinhos. Bons efeitos, personagens fiéis, boa trama, sem perder a densidade do conteúdo da HQ. Errei.
Vi hoje a MELHOR adaptação de quadrinhos já feita: SIN CITY. Previsível, considerando-se elenco e diretores, com a participação, inclusive, do infalível Tarantino. O filme é, como definiram seus idealizadores, uma "tradução" para os cinemas da história original. É uma "graphic novel" na tela. Percebam: o filme está além da adaptação, é a pura linguagem dos comics que vai para a telona. Detalhe sutil, porém essencial: uma HQ em movimento. E boa.
Já até virou clichê (nessa nossa hiper-velocidade) dizer isso, mas o filme pode ser para Rourke o que Pulp Fiction foi para Travolta (que, como aquele, fica bem em um ou dois filmes cools, o resto é lixo). Perfeito no seu papel de brutamonte troglodita, concede uma verossimilhança impecável ao seu ambíguo personagem, uma espécie de sádico-sentimental. Menos sentimentais são dois vilões simplesmente arrasadores no filme: um pedófilo grotesco, ressaltado pela sua face monstruosa e corpo amarelo (passando, realmente, uma sensação de vômito), e um canibal-angelical, cuja delicadeza na verdade esconde uma leveza e velocidade sinistras, capaz de, com suas garras wolverinianas, cagar a pau o "hulk" do filme.
Tonalidades de preto e branco perpassam a tela, em cenários construídos por computador que carregam uma atmosfera "noir". As cores são absolutamente apropriadas: vem permeadas de emoções, violência, sensualidade, sofrimento. Nada é oculto, às vezes sugerido. O agressivo e duro invade o âmago da história, a cidade é pesada demais para nossos nervos. O que, nietzschenianamente, me delicia.
Fora isso, e agregados outros elementos que não estou a fim de falar, vale referir a quantidade de GOSTOSAS que mostram peitos e bundas ao longo da película, recheando-o com nítido conteúdo ADULTO - e, com isso, quase abrindo passagem para que os quadrinhos SOMBRIOS invadam a indústria cinematográfica (o que é bom e ruim, dependendo do ponto de vista). Além, claro, do prazer de ver uma bunda feminina, especialmente quando se trata de Jessica Alba.
Sin City, até agora, é O filme de 2005. Porra: parem de ler essa merda e vão ver logo o filme.
MUITA COISA! - Garbage, Oasis, White Stripes, Coldplay, Nine Inch Nails, Foo Fighters, Queens of the Stone Age, Athlete, Idlewild, Ocean Colour Scene, Frank Black, Beck, Ry Cooder, Gorillaz, Cachorro Grande, Los Hermanos, British Sea Power, Super Furry Animals, Elbow, Audioslave, Broght Eyes, Clap your hand say yeah!, Ryan Adams, Spoon, The Coral, The Mars Volta, The Raveonettes, LCD Soundsystem, e, talvez, Franz Ferdinand, Babyshambles, Strokes e Keane, além de novatos como Editors, Magic Numbers, The Departure, Kaiser Chiefs, Bloc Party, enfim, 2005 está pródigo em lançamentos. Menos pródiga é a minha vontade de resenhar os que ouvi bem.
Trilha sonora do post: Editors, "Camera" (um pouco redundante, depois do Interpol).
Escrito por -MOX- às 01h48
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