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Mox in the Sky with Diamonds |
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REPOUSO MERECIDO
Homens-médios
É CURIOSO. Desde que comecei a me dar por gente, sempre fiquei de cara com injustiças sociais. Fui comunista, anarquista, petista-radical, constitucionalista-radical, enfim, uma cacetada de coisas. E, desde então, venho lendo pra caralho, e sempre buscando algumas coisas, mas não é que fui topar com o Direito Penal e, de repente, ser enfeitiçado.
E mesmo depois de largar a "dogmática jurídica" (o nome já diz tudo, como sempre, aliás), enveredando pela filosofia e autores transdisciplinares, o Direito Penal sempre estava ali, no fundo. Porque se tem algo que eu odeio nesse mundo é o fascismo, e se há um lugar onde há fascismo é no Direito Penal.
Mas cansa. Não porque seja chato, mas pela indignação. A estupidez coletiva chega a pontos inimagináveis. Coisas como "direitos humanos para humanos direitos" são até lights, não obstante o caráter de imbecilidade que caracteriza a frase. Estressa. Chego a me sentir um ET, olhando para um planeta de bestas-feras, famintas, egoístas, cheirando a podre. Tenho nojo. O que me cansa não é estudar, mas agüentar estudar e, cinco minutos depois, me confrontar com a idiotice geral. O pior é a frustração de que vou morrer e NADA vai mudar. Continuaremos vivendo nessa mesma bosta, talvez pior.
É DISSO que eu preciso descansar. Do stress de agüentar as pessoas medíocres, hipócritas e egoístas (alternada ou cumulativamente). Acho que essas três características sintetizam tudo: medíocres, porque sua vida se resume a uma rotina sem sentida, escrava de um sistema entediante; hipócritas, porque muitas vezes censuram o que fazem ou gostariam de fazer, porque em público não aceitam o que fazem privadamente, porque defendem um sistema idiota sem saber por quê; egoístas, bom, falar disso até parece desnecessário - todas as pessoas se acham "entidades" especiais cujo mundo gira em torno. Enfim, UM fim-de-semana de folga deles será bom. Um só.
Por isso, estou decretando: vou tomar um TRAGO TROGLODITA, porque não estou nem aí para convenções imbecis e tortas, e me esquecer a ruindade da vida, da injustiça, de tudo que falei. Esse fim-de-semana é de recarga das baterias. Tentarei ler o mínimo possível. I want to have some fun. Forget. Chutar o balde. Porque, no meio dessa tormenta, é bom de vez em quando lembrar das coisas boas da vida, dessas que os homens-médios me fazem esquecer.
E, pra curtir o "novo rock", coloquem aí na vitrola:
1. The Bravery, "Honest Mistake";
2. Bloc Party, "Like eating glass";
3. Jet, "Are you gonna be my girl";
4. Kasabian, "Reason is treason";
5. The Rapture, "House of jealous lovers";
6. The Departure, "All mapped out";
7. Razorlight, "Golden touch";
8. Modest Mouse, "Float on";
9. Franz Ferdinand, "This Fire";
10. The Libertines, "What became of the likely ladys";
11. LCD Soundsystem, "Daft Punk is playng at my house";
12. Interpol, "Evil";
13. Kaiser Chiefs, "I predict a riot";
14. The Killers, "Mr. Brightside";
15. The Strokes, "Reptilia";
16. The Vines, "Get Free";
17. The White Stripes, "Jolene".
Trilha sonora do post: The Libertines, "Can't stand me now".
Escrito por -MOX- às 20h14
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SOBRE O PRAZER DO HOMEM EM ADMIRAR MULHERES JUNTAS

É EXPLICÁVEL, ao contrário do que pensa a maioria das moças, a vontade INEXORÁVEL e UNIVERSAL do bicho humano macho em admirar duas fêmeas praticando atos libidinosos.
SIM. Enquanto o homem é um ser tosco, peludo e feio, a mulher possui qualidades que a caracterizam como uma evolução da espécie. Li na Superinteressante, esses dias, que seria a mulher o ser anatomicamente perfeito. CONCORDO. É impressionante como cada centímetro do corpo feminino parece provocar uma sensação irresistível de erotismo nato, uma provocação invencível, um magnetismo implacável. Poderá existir algo melhor que uma mulher?
SIM. Duas mulheres. Quando a suavidade se junta, em toques cintilantes de beleza mútua, conjugando a delicadeza do gênero e suas formas curvilíneas próximas à perfeição, com um sabor de desejo mútuo, o prazer do homem se duplica: prazer pessoal e voyer. Sentimento explicável, dada a total superioridade corporal, às formas divinas, do sexo feminino. É incrível como 90% das mulheres não curte ver homens juntos, mas 90% dos homens desejam ver mulheres o mais próximo possível. É claro: dois homens é a reunião do desagradável, aquilo que é suportável apenas parcialmente, da espécie inferior e mais próxima aos macacos. A união de dois homens é uma forma feia; a de duas mulheres, a própria imagem da beleza e da sensualidade.
Também não é difícil imaginar o quanto é mais fácil para uma mulher desejar a outra: é o desejo da própria forma perfeita que está em jogo. Por isso, faço essa ode ao bissexualismo feminimo: continuem lindas e desejantes, instigando a imaginação masculina com suas formas perfeitas, retratos da evolução do biotipo humano.
Trilha sonora do post: Radiohead, "A Reminder".
Escrito por -MOX- às 00h37
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A ILHA E HIROSHIMA/NAGASAKI: HÁ LIMITES PARA O CONHECIMENTO CIENTÍFICO?
A ILHA não traz nada de novo, salvo mais ângulos diferentes da beleza de Scarlett Johansson, mas traz questões importantes. A questão da clonagem traz, em si mesma, não só o dilema ético da incapacidade do ser humano de conviver com o diferente (paradoxal: o diferente/igual), mas a própria questão: quem é o clone? É a pessoa de origem? É outra pessoa?
Mas não é sobre clonagem que eu quero falar, e por isso já passo a relembrar que estamos completando 60 anos da explosão das bombas nucleares em Hiroshima e Nagasaki.
Por baixo disso tudo, está a questão: devemos estabelecer limites para o conhecimento científico?
Rorty, o filósofo vivo com que mais me identifico, diz que a ciência não é nenhum "lugar privilegiado" nos nossos conhecimentos, mas uma simples narrativa sobre determinadas sentenças da nossa linguagem. Rorty não acredita em uma suposta verdade; para ele, o predicado "verdade" tem o sentido apenas de "bem justificado", é impossível discernir um do outro. Travou um debate bem interessante sobre o tema com Habermas, mas o fato é que, na sua visão, é impossível chegarmos à "realidade" das coisas, uma espécie de "olho de Deus" que nos faria sairmos de nós mesmos e enxergarmos as coisas como são "em si mesmas". Não existe qualquer sentido ínsito às coisas: a gravidade não se diz "gravidade" em si mesma; é apenas uma descrição que fizemos na nossa linguagem (científico) para certo fenômeno causal. O conhecimento científico perde o seu caráter sagrado. Se não acessamos as coisas com o "olho de Deus", através da ciência, apenas somos capazes de fazer descrições diferentes conforme a nossa linguagem.
O que caracteriza o conhecimento científico, diz Rorty, é a capacidade de predição e controle.
A questão é: será que a predição e controle são valores absolutos, acima de todos os outros? Os cientistas, assim como antigamente padres e gurus, se acham acima do bem e do mal. Curioso: a agonia de Sokal e Bricmont, cientistas que escreveram um "manifesto" contra os pós-modernos, chamando os detratores da ciência de charlatões, é um pouco disso.
Por baixo desse discurso, existe, especialmente nos médicos, o velho dilema da vida eterna. As "melhorias" que nos oferecem trazem consigo apenas a idéia de que a ciência é uma forma de proporcionar aos seres humanos a felicidade infinita, uma realização de todos os seus desejos. É aí que entra "A Ilha": será legítimo clonarmos as pessoas, criando novos seres, apenas para prorrogarmos nossas vidas? Será que ainda acreditamos em bobajadas como "alma", que supostamente legitimariam tais imbecilidades, como é ocorreu na nossa América com índios e negros? Os médicos posam como senhores da verdade - eles têm a chave para prorrogar nossa vida. São os gurus da nossa época. Dizem: não fume, não beba, não use drogas, não coma gordura, coma frutas, vegetais, exercite-se.
Hiroshima e Nagasaki são a prova de que a ciência NÃO tem controle sobre o que cria. Não traz felicidade. A suposta legitimidade do trabalho científico, a todo momento, vem de uma crença das pessoas de que os cientistas trarão soluções para suas vidas. E mais: será que a realização de todos os nossos desejos é legítima? Vi esses tempos uma reportagem no Terra em que um cientista falava das células-tronco e dizia: "logo poderemos clonar pessoas e ninguém irá morrer". Mas isso será legítimo? Se a ciência não é nenhum conhecimento privilegiado, nenhuma verdade absoluta, mas uma simples narração, que se baseia em predição e controle, terá ela poderes ilimitados? Será o o "fato feliz", que comove como espetáculo, do casal poder ter seu bebê, justifica que violemos o equilíbrio natural?
Para mim, esses idealistas da ciência, especialmente os médicos, no fundo escondem um imenso, terrível e lamentável medo da morte, uma coisa natural e boa, mas assustadora. Logo, a proximidade com a religião é bem maior do que parece.
Trilha sonora do post: British Sea Power, "Blackout".
Escrito por -MOX- às 01h20
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