| |
CRISE POLÍTICA
É um eufemismo da imprensa ficar falando de crise. Desde que o Brasil é Brasil, estamos em crise. A corrupção é endêmica e epidêmica, a diferença é que provavelmente o PT não teve a mesma competência da direita em abafar CPIs. A compra de votos e as privatizações teriam gerado repressões idênticas. Portanto, é tudo um teatro, encenação, hipocrisia e, sobretudo, falta de assunto.
COLDPLAY, "X&Y" (2005).

Já andei criticando X&Y por aqui. Mas, depois de ouvir várias vezes o álbum, cheguei à conclusão de que a decepção se restringe àqueles que esperavam mais experimentalismo. Creio que há um erro de concepção nisso: no fundo, esprava-se que o Coldplay seguisse o Radiohead. Quem conhece bem a banda sabe que isso está errado. Há bastante tempo Martin vem dizendo que a principal influência da banda é o U2. E é por aí: X&Y é o disco mais "Joshua Tree" deste século. Por isso, acho que o erro foi na expectativa: quem conhecia bem os caras sabia que a banda não faria novo Ok Computer, mas algo mais próximo do U2. No geral, X&Y é ótimo dentro das suas limitações. As canções, embora ligeiramente convencionais e até repetitivas, são boas. E embora "A Message" (uma "Green Eyes" menos competente) e "Low" não decolem, por exemplo, não são ruins. "Speed of sound" é uma releitura de "Clocks". "Fix You" e "What If" são U2 cantado por Martin. "Square One", que começa como "2001: Uma Odisséia no Espaço", demora um certo tempo para ser apreciada. Mas lembra do "Politik", música pouco tragável e, depois de ver os shows, clássica? "White Shadows" é bacana, mas nada demais. Uns riffs e tecladinho. "Swallowed by the sea" é a balada mais escancarada do disco, uma espécie de "Trouble", "Twisted Logic" tem um riff bacana, dá uma crescida, não deixa a desejar; "Til Kingdom Come" é a tentativa de uma certa tosqueria. E "X&Y", a música, essa sim, é a única música que realmente parece Radiohead. Enfim, não é a obra-prima que os fãs aguardavam; mas é um disco bem bom.
O PODEROSO CHEFÃO
"Ser foda é pouco pra mim..."
Revi dos dois primeiros filmes dessa trilogia matadora e confirmei: são obras-primas. A perfeita atuação dos protagonistas (por sinal, lendas em atividade: De Niro, o Vito Corleone mais novo; Pacino, Michael Corleone), a direção impecável, ambientação perfeita, as tradições familiares da máfia, os valores patriarcais, cruéis e a fidelidade como viga mestra do sistema moral, a trama surpreendente, cheia de explosões dramáticas (assassinato cometido por Mike, morte de Sonny, anúncio da morte ao Don, assassinato de todos os chefões, fechar de portas que termina o primeiro filme, morte dos pais de Vito, tomada de poder pelo Fidel, enfim, não vou contar tudo), recheando um universo fantástico de violência e tradição. Da ordem dos CLÁSSICOS.
EU E NIETZSCHE
Toda vez que me deparo com um grupo novo de pessoas e conheço seus sonhos e projetos as pessoas dizem: "procuro paz interior, equilíbrio, blá-blá-blá". A tal paz, que Nietzsche equiparou a uma "boa digestão", não me atrai nem um pouco. Meu interior é repleto de dúvidas e conflitos. E não quero me livrar deles. São eles que me tornam LIVRE, desvinculado, em estado de vigília. A paz interior parece amiga da conformidade: é a guerra e o inconformismo que alimentam meu pensamento. Além disso, como me considero um pedaço de carne e ossos semovente, ou, como disse meu primo esses dias, "uma gota d'água no oceano", prefiro viver todos os meus momentos com a máxima intensidade possível, procuro sempre estar ligado no grau máximo. Paz interior pros outros: pra mim, guerra interior.
TARAPACÁ
Não sou um grande conhecedor de vinhos. Mas, sem dúvida, sou um grande BEBEDOR. E tenho que deixar registrado: o vinho chileno Tarapacá, com consistência perfeita, resvala pela garganta sem acidez ou amadeiramento excessivo (diferente do Gato Negro, que tem gosto de sola de sapato), caindo forte, mas saboroso. De todos os vinhos que tomei nos últimos dois anos, é o melhor. Vale experimentar.
LEITURA RECOMENDADA

CABEÇA DE PORCO, obra conjunta de Luiz Eduardo Soares, MV Bill e Celso Athaíde, é leitura obrigatória para os que se importam com os direitos humanos e desafio para os que desprezam. Inserido na realidade nua e crua do tráfico de drogas, carregando seus autores, inclusive, o estereótipo criminal, tudo ali fica exposto como as tripas do Brasil sobre a mesa: violência e corrupção policial, miséria, racismo, estigmatização, profecias-que-cumprem-a-si-mesmas, degeneração social, círculo vicioso, invisibilidade social, etc. É impressionante como a realidade suga o maniqueísmo estúpido da imprensa. Indispensável.
Trilha sonora do post: Bright Eyes, "I believe in simmetry".
Escrito por -MOX- às 19h43
[]
[envie esta mensagem]
|
|