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O ORKUT ENSINA
Tu fica pensando: será que ela não vai com a minha cara? Ela anda por aí, sorri, não fala nada. É enigmática. Parece um pouco irônica, é de poucas palavras, nunca discute, nunca aborda assuntos em particular. E tu pensa: "bom, paciência, ninguém é unanimidade, ela não vai mesmo com a minha cara".
E aí, de repente, por acaso, tu está no Orkut e vê o perfil. É quando o sorriso enigmático se transforma num vazio absoluto. Meu filho, onde não tem nada não adianta procurar alguma coisa. Sorrisos irônicos que não são irônicos: são vazios. Tua cabeça tá cheia de coisa, e tu acha que a de todo mundo é assim. Não, véio: a dela é vazia. Simplesmente vazia. Quando tu acha que alguma coisa se esconde, é o nada que te confronta. Não dá pra imaginar, mas é isso, simplesmente ausência de pensamento.
SE...
Se as pesquisas continuarem nesse ritmo, o negócio é o Lula chutar o baldão. Abrir mão da reeleição e, em vez de governar, ir pra guerra. Anunciar uma "operação mãos-limpas" no Brasil, parar tudo e investigar todos. Inclusive o ACM Neto. E aí o PFL treme.
REPENSANDO A "ESQUERDA"
G.D. sempre lança desafios instigantes, mas o último post, com começa com a foto de campos de concentração comunistas, é paradigmático (aliás, uso errado da palavra, mas agora já foi).
Não tenho uma "resposta" pronta e acabada. Mas algumas coisas eu venho pensando sobre o tema.
1º - O comunismo acabou. Não existe alternativa convincente contra o capitalismo no presente momento. Precisamos inventar outra coisa. O capitalismo, sem dúvida, não é o "fim da história". Mas AINDA não existe substituto. Não adianta ficar lutando contra a política econômica. O mundo está interconectado e ninguém mais quer se desvencilhar. A política econômica melhor será a micropolítica e, ao mesmo tempo, uma forte luta no contexto internacional. É através da pressão nos organismos internacionais e da formação de blocos com países que se poderá chegar a perspectivas melhores, como, por exemplo, uma regulamentação do mercado internacional.
2º - Nunca houve "crise" do welfare state. A decadência do modelo - levada a cabo por Reagan e Thatcher, terminando no clichóide "consenso de Washington" - foi baseado em lamentáveis falácias e mentiras, inclusive na promessa, dirigida à classe média que vota nesses países (atenção: pessoas que defendem voto facultativo) de que, com a substituição de um Estado Social por um Estado Mínimo, o "residual" que recebia assistência social iria para trás das grades, sobrando mais dinheiro pra eles. Por isso, a coincidência entre o encolhimento do Estado Social e o tolerância zero. Não há bons argumentos contra o welfare state.
3º - Devemos incorporar demandas novas, especialmente as transversais: feministas, ecológicas, raciais, enfim, toda esfera de proteção dos direitos humanos. A melhor alternativa para a esquerda é se basear no discurso dos direitos humanos. E nenhum discurso abocanhou melhor isso do que a esquerda norte-americana. O liberalismo político, já falei isso aqui, é muito próximo da social-democracia, com a vantagem de ter um discurso que valoriza mais ainda a autonomia privada. Utopias perfeitas levam ao totalitarismo: o melhor é garantir condições de vida e, na esfera pessoal, deixar que cada um seja do jeito que quiser.
4º - Tem certas coisas que são simplesmente erradas. As FARCS, por exemplo, até tem suas razões, mas estão erradas. O sistema do tráfico de drogas alimenta uma máfia que impede o crescimento da democracia e da liberdade na Colômbia. A esquerda tradicional se apega a movimentos sociais com muita facilidade, transformando-os em grandes corporações. Isso não convém. Convém ouvi-los, sem dúvida, mas sem transformá-los em ídolos. Sempre em perspectiva crítica.
5º - Eficiência e boa gestão são coisas positivas. É ruim achar que as corporações valem por si mesmas, como ocorria em relação aos funcionários públicos, que eram privilegiados, de um lado, e incompetentes, de outro. Uma boa governança trará junto consigo uma boa gestão do dinheiro que sobra do orçamento público. Só uma boa gestão, com funcionários públicos competentes, sem lobbies e sindicalismo barato, pode aplicar esses recursos de forma que alcancem resultados concretos. Sem essa renovação, por exemplo, instituições como a Polícia ou a Universidade não têm como funcionar.
6º - Não dá para encampar todas as lutas ao mesmo tempo. Por isso, não dá para reduzir a carga tributária. É possível redistribuí-la, mas de forma parcimoniosa, sem atropelos.
7º - O Governo bom é aquele que faz coisas boas, não aquele que realiza a utopia. Por isso, temos que aprender a valorizar a boa gestão (ex., boa gestão de FHC na educação fundamental e na saúde, ou de Lula na economia e na educação superior) e as boas idéias. A ideologização de tudo leva à oposição burra e, por isso, ao fortalecimento de corporações e grupos - oligarquias. O Governo bom é aquele que consolida idéias de continuidade, projetos que, a longo prazo, possam funcionar.
8º - Democracia em todos os momentos. Eleição de prioridades. Utilização de referendos. Conselhos populares. Administração em conjunto com a sociedade, em sentido amplo, ou seja, incluindo os excluídos também. Isso incluiria uma postura na imprensa no sentido de que fosse assumida a linha ideológica, para que o debate se tornasse explícito e, por isso, realmente democrático.
9º - Revisão geral das leis. Formação de comissões sérias para que existam consolidações de leis de todas as áreas, de forma que saibamos o que vale e o que não vale. E, após isso, revogação de todas as leis que contrariem a Constituição. Significa a consolidação de um trabalho jurídico no Congresso, iniciado, justiça seja feita, pelo Gilmar Ferreira Mendes no Governo FFHH.
10º - Sem "revolução", as mudanças se farão gradualmente. Mas é preciso ter clareza sobre o que queremos. Os direitos humanos, creio eu, são o referencial obrigatório. Coisas como cotas, programas assistenciais e boa gestão podem, sem enfrentar a oposição da direita, que não quer mudança, conquistar os indecisos de classe média, que oscilam entre a defesa até os ossos sua vidinha medíocre contra bandidos ou vagabundos, e a aceitação de que podemos diminuir o fosso social, aos poucos, sempre para frente.
Tá, tudo isso é uma utopia. É. Mas é só uma forma de ver a gestão pública longe do messianismo. E o messianismo, no fundo, é o que está no coração de todo brasileiro.
Trilha sonora do post: Madeleine Peauroix, "Dance me to the end of love".
Escrito por -MOX- às 23h27
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CERVEJA. WHISKY. VINHO. PEQUENAS VIAGENS. DOCES, DOENÇAS, SONOS DESPROPOSITADOS, ESTIMULANTES CARNAIS, CARNE MAL-PASSADA, CINEMA ALUCINÓGENO, NIETZSCHE, RIMBAUD E RADIOHEAD. MULHERES BISSEXUAIS, ROCK'N'ROLL, EXPERIMENTALISMO SONORO, LITERATURA LISÉRGICA, FILOSOFIA DO PODER. CHOCOLATE, ÁGUA MINERAL E, PRA QUEM É CAPAZ, MAIS ÁGUA AINDA. Minha vida é composta de todos essas engrenagens complicadas e incompatíveis. E um algo mais. O fato é que, tomando um chopp, chegeui à conclusão que, com 24 anos de vida, já vivi bem mais do que muita gente de 40, até 50. Se viver pra mim é encarar o diferente, o vida-repetida de muita gente é menos recheada de eventos do que a minha pequena existência, repleta de eventos explosivos e variações tortas. Eu não tenho filhos, é verdade, nunca perdi o emprego, nenhuma pessoa realmente importante na minha vida - ao menos vida de adulto - morreu ainda. São experiências. Mas posso dizer que, se morrer hoje de noite, morro tranqüilo: vivi. Tem gente que ainda nem nasceu. É excremento, não gente.
IRRELEVÂNCIA MÁXIMA
A proposta de fazer nova Constituição. Primeiro, vamos saber o que está escrito nessa. Depois, a gente discute. Ok, jornalistas?
AI, AI, AI
1 - "Fireflies" - Faith Hill 2 - "Now 19" - Vários 3 - "The Emancipation of Mimi"- Mariah Carey 4 - "Let's Get It: Thug Motivation 101" - Young Jeezy 5 - "Roc-A-Fella Presents Teairra Mari" - Teairra Mari 6 - "Kidz Bop 8" - Kidz Bop Kids 7 - "X&Y" - Coldplay 8 - "Monkey Business" - The Black Eyed Peas 9 - "Breakaway" - Kelly Clarkson 10 - "Demon Days" - Gorillaz
Essa é a lista dos dez primeiros colocados da Billboard. Podia ser pior? Ao menos Coldplay e Gorillaz não são tão ruins. Na real, poderia. Basta ver a brasileira.
Mas agente tem, pra esse ano, Cachorro Grande, Los Hermanos, Pato Fu, Violins e, daqui a pouco, Alter Ego. Quem sabe as coisas melhorem...
VELHAS RECORDAÇÕES
Andei lendo um blog antigo - o primeiro In The Sky -, tudo ali era mais espontâneo e sincero. Não, esse post não será bom. Espero voltar logo e ser mais interessante.
TOPFIVE ATORES/ATRIZES QUE EU MAIS ODEIO
5. MICHAEL KEATON - fala sério! Um Batman... careca!
4. MERYL STREEP - odeio o jeito de velha coitada-e-mal-amada!
3. CHER - ela é muito ruim! muito feia! muito palha!
2. ROBIN WILLIANS - o bom moço de "Patch Adams" e mais uns 40 filmes em que ele faz papel de bonzinho e sentimental. Foda-se!
1. DENIS QUAID - aquele que no final levanta a bandeira dos republicanos e aperta a mão do Bush!
Trilha sonora do post: Wilco, "Wishful thinking".
Escrito por -MOX- às 00h31
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