OS PURITANOS SÃO O RETRATO DO IMPOSSÍVEL
"Todo mundo pensa em sexo o tempo inteiro"
(Alter Ego, em "Ninfomania")
Ele está aí. O tempo inteiro. Ao nosso lado, como que para nos lembrar na nossa natureza animal. Basta ver que, mesmo no lugar mais puro e casto, a lembrança do sexo pode despertar os nossos instintos mais primitivos, o nosso caráter animal. É por isso que eu venho lendo os pragmatistas: foi a única corrente da filosofia que levou a sério Darwin. Somos bichos, "bípedes sem penas", diz Donald Davidson. E o sexo está ao nosso lado em todo momento, na leitura dos e-mails, na reunião do trabalho, na sala de audiência. A Débora Secco, a Angelina Jolie, a Sharon Stone. O momento mais solene não pode neutralizar o desejo que é inerente à nossa espécie e superior a qualquer princípio racional. Não.
Os puritanos - por isso - são o retrato da sua própria impossibilidade. Exigir que o sexo não apareça na televisão, por exemplo, é pedir que não se transmita o que o ser humano é: um animal que gosta de transar. Uma foto da Jeniffer Connoly nua desmascara qualquer puritano. O ser humano é essa tensão constante entre razão, emoção e instinto, mas nunca um "ser superior" capaz de se diferenciar de outros animais.
Da minha parte, já enchi o saco dessas perspectivas morais do "olho de Deus", como se tivéssemos uma "metamoral" capaz de dizer o que é permitido em sexo e o que não é.
O único olho que os puritanos merecem é o olho do cu.
Trilha sonora do post: Alter Ego, "Tecido conjuntivo propriamente dito".