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THE RAVEONETTES é a banda mais retrô da atualidade. Formada por apenas um casal, de Copenhagen, lançou seu primeiro disco em 2002, "Whit it on", e ganhou certa notoriedade em "Chain Gang of Love" (2003). Por que a mais retrô? Porque é a que recua mais tempo na música. Hoje em dia, pode-se classificar de forma tosca entre as bandas que recuam ao som de garagem de 77 (Strokes, Libertines, Razorlight, etc.), aos anos 80, nas suas diversas variações (Killers, Bravery, Franz Ferdinand, Interpol, Editors, Bloc Party, Kaiser Chiefs, etc.) e até quem queira utilizar a influência country-blues americana (os últimos White Stripes e Black Rebel Motorcycle Club e um pouco o The Coral). O particular no Raveonettes é que o som remete à década de 50, época pré-Beatles, oscilando entre riffs básicos surfísticos e baladas românticas, com todo aquele clima da época. Tá certo. Mergulhe isso em Jesus and Mary Chain e seu misto de barulho de guitarras e melodias doces, e você tem Pretty in Black, disco dos caras lançado esse ano [salvo em "My Boyfriend's back", quando soam Blondie/Garbage (Beautiful Garbage)]. O fato é: a sensação de estar em um filme do Tarantino, com aqueles riffs velhos e consagrados na surf music, misturada com um ambiente county, está lá todo tempo. Mais sobre eles aqui.
 ATHLETE, "TOURIST" (2005) É inegável que, muito embora tenha sofrido uma cacetada de críticas, tem algumas boas músicas."Changes", por exemplo, é ótima. O problema é que está mergulhada no tal "new acoustic". Leia-se: lembra MUUUITO o Coldplay. E, quer saber, o instrumental não deixa muito a desejar. O grande problema é que o vocalista não tem 1/3, 1/4, 1/10 do carisma do Chris Martin. Assim, o som fica indeciso, confuso, perdido, oscilando entre um vocal meio tosco e uma sonoridade de "pop perfeito". Deixa de lado.
NOVAS/VELHAS REFLEXÕES SOBRE A PAZ INTERIOR
É. De novo ouvi a tal estória da paz interior. De novo a tal da "espiritualidade". Da "transcendência". Pronto. Me lembro sempre de Rorty, quando diz que a função do filósofo é nos livrar das "crostas de convenções". Esse ranço metafísico, baseado em crenças superiores, me parece muito mais uma bengala para quem quer se acomodar. Esse "pseudobudismo" não me comove mais.
Essas pessoas que querem "paz interior" tentam se livrar dos nossos próprios conflitos. É como se quisessem tirar a sua alma do mundo real. Aliás, se não formos olhar realmente onde essas pessoas chegam, veremos que não é mais do que à "boa digestão" a que se refere Nietzsche. Depois que a metafísica morreu, isso não faz mais sentido. Essas pessoas, curiosamente, sãos as que defendem, por exemplo, o terrorismo penal. As pessoas deveriam estar muito mais preocupadas com a paz exterior, enxergando egoísmo e cobiça alheias, em eterno conflito com a injustiça, solidarizando-se com o sofrimento do outro. Como ter "paz interior" numa sociedade tão injusta? Só sendo um cínico. E de cínicos estamos repletos, e eles não são apenas os nossos políticos, os bodes expiatórios da nossa sociedade.
Prefiro menos paz interior, espiritualidade e calma. Mais justiça, solidariedade e inconformismo.
VITÓRIA TRICOLOR
Depois da gloriosa vitória tricolor, um trago troglodita, cai na cama e acordei, podre, o outro dia de manhã. E a minha querida e pobre namorada teve que passar a noite rateando, vendo um pinguço espatifado na cama, feito um cadáver. Foi vinho, depois ceva, depois chopp. E a gente vai levando...
Ah, sobre o jogo: nem vi direito. O negócio é ir lá, xingar os secadores (rectius: gremistas imbecis que vão ao estádio pra XINGAR o time, provavelmente em decorrência da própria impotência sexual ou pelo tesão anal que escondem) e vibrar nos gols do tricolor. E ficar bebum.
SITE PODRE
Site palha esse aqui. Bem de loser mesmo.
Trilha sonora do post: Los Hermanos, "Os Pássaros" (a melhor! a melhor!).
Escrito por -MOX- às 00h06
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VOCÊ CONHECE ARCADE FIRE?
Haiti, never free, n’aie pas peur de sonner l’alarme. Tes enfants sont partis, in those days their blood was still warm. ("Haiti")

Se não conhece, tudo bem. Afinal, o álbum deles nem foi lançado no Brasil. Mas eles vêm aí, pra tocar com os STROKES. Pra começo de conversa, podemos dizer que os caras são, do pessoal do novo rock, certamente aqueles mais difíceis de ser enquadrados em qualquer rótulo. Funeral certamente foi o álbum mais enigmático do ano passado.
Bom, podemos dizer que os caras foram quase-unanimidade na crítica do ano passado. O disco - Funeral - abocanhou um número imenso de listas de melhores do ano, embora tenha sido prejudicado por ter saído no fim do ano. No site Metacritic, que faz um apanhado geral da soma das diversas publicações e publica a nota média das críticas, ficaram com 89, nota excelente, figurando como 7º lugar na lista dos melhores do ano.
A banda é do Canadá, composta por OITO integrantes, que tocam instrumentos variados, como xilofone, violinos e acordeão. Win Butler e Régine Chassagne lideram a banda, dividem vocais e alianças. Os vocais muitas vezes remetem aos crooners da década de 80, mas é impossível catalogar a banda no revival que vem ocorrendo dessa época. Na verdade, o som é um amálgama de tudo um pouco, trasversalmente inebriado de uma tristeza intensa (o nome "Funeral" não é à-toa, na verdade ocorreram várias mortes de parentes ao longo da gravação do disco). É majestoso, embora um tanto quanto difícil de se adaptar. Depois do impacto inicial, contudo, vira uma obra-prima.
O Arcade aprofunda a exuberância instrumental e enche seu som de violinos, riffs e linhas pesadas de baixo, com viradas constantes aprofundadas por um vocal emocionado, cantado com extrema sinceridade, muitas vezes recheado por duetos do casal Butler/Régine. É, provavelmente, da nova safra, a banda mais original. O single escolhido e mais votado foi "Rebellion (Lies)", mas a minha favorita é cantada por Régine, com um tom depressivo e doentio, "Into the backseat", carregando uma grandeza instrumental intensa.
And the power’s out in the heart of man, take it from your heart put in your hand. And there’s something wrong in the heart of man, you take it from your heart and put it in your hand!
Where’d you go?
(Neighborhood #3 (Power Out))
O show dos caras promete. Álvaro Pereira Junior foi assistir os caras no Canadá e simplesmente babou na gravata. Leiam o relato aqui. E aqui tem outra crítica. Deliciem-se. E preparem-se.

Trilha sonora do post: Arcade Fire, "Rebellion (Lies)" (live).
Escrito por -MOX- às 21h44
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